quinta-feira, 7 de agosto de 2008

PÓS CHUVARADA


Reflexões após a Chuvarada (I)

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Depois de 104 dias sem chover
(a precisão da contagem vem-nos da TV),
em Belo Horizonte, despenca uma cortina
de muitas camadas de água.

A umidade relativa do ar, andava baixíssima,
agora os pulmões dos vivos e as plantas agradecem.
Mas a chuva é intensa, contínua, as enxurradas
balançam meu espírito inquieto:
quantos terão seus abrigos (des)manchados?
Quantos serão arsastados, à (in)acreditável
força das águas?
Os bens de consumo, as propriedade materiais,
perdidas, provocam gritos e ais,
mas há o pior:
os que sofrem registros de perda afetiva,
e as mortes dos corpo que não resistem,
fazem esquecer da "Vida Eterna".
Todos somos egoístas quando partem os que amamos,
mesmo que tentemos , cheios de defesas,
justificar os porquês.

Estou ao abrigo, e solidária,mentalizo
para esses des/conhecidos da mesma espécie:
humanos e todas as espécies
, que perdem tijolos e panos,
eletrodomésticos ,celulares e computadores.
Lembro que quase não existem mais cartas de amor,
substituídas por e-mails deletáveis,
quando não mais perdurar o interesse amoroso.
Mas quantos não perdem velhos e queridos álbuns antigos,
fotografias de batizado, casamento, viagens, formaturas?

No outro dia, desafiante, o novo dia explode em luz
e esta invade os espaços ,clareia
e mostra as calçadas limpas, os jardins verdíssimos,
ao som dos pássaros e das pessoas.

A beleza sempre vence as mazelas,
coloco um CD e a voz de Chico Buarque
preenche esta manhã em festa.
Agradeço a umidade relativa do ar,
em nível muito mais alto.
Embrulho para presente um pouco de luz solar
e mando aos amigos que estão em Moscou.
Ensaio passos de dança, cantarolo,
parceira improvável do compositor.
E vou deitar-me na rede do terraço,
cãozinho no braço,
com a preguiça boa dos Poetas,
que no ócio produtivo
fazem chover versos...

A chuva é espantosa e milagrosa,
"apesar dos pesares":
é preciso lutar para sempre
ceder à sua beleza in/esperada...

Belo Horizonte,
06/08/2008

(*) verso de Odylo Costa,filho.Estava no Maranhão, em 1972, quando houve uma enchente.Então entendi o soneto do Poeta, ao vivo:"Tudo cede à força das águas"(...)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Escritoras Suicidas


Líria Porto avisa que está no site scritoras Suicidas "Também estou aqui", conta-nos, colaborando com nossas esquisas:

http://www.escritorassuicidas.com.br/

Veja e que boa companhia, nessa plêiade de estrelas d Poiesis:



adelaide do julinho * adriana oliveira * andréa del fuego * assionara souza *

cida pedrosa * daniela lima * dominique lotte * eugênia fernandes *

florbela de itamambuca * jane sprenger bodnar *julya vasconcelos *

jussara salazar *líria porto *lucélia majistral *márcia bechara* maria terra *

márcia maia * marília kubota* mariza lourenço* nina rizzi * patty flag *

roberta silva *ro druhens * romina conti* santa maria *shânkara lis *

silvana guimarães * simone santana * valéria tarelho * verônica couto

virna teixeira *ex-suicidas convidadas


("um site de mulheres e homens que fingem de | edições temáticas | uma vez por mês | design multimidia arte benta ")

" http://www.escritorassuicidas.com.br/"


A página de Líria conta:"
Líria Porto. Professora, mineira, vive em Belo Horizonte. Inédita, tem poemas publicados no Cronópios, na Germina - Revista de Literatura e Arte, e em seus blogues Putas resolutas e Líria Porto."

Em breve, estará na antologia D'Versos, em prol do Alô Vida e em POIETISA.

E um de seus poemas no blog,apenas de entrada:vá degustar os demais...


visitante



já o inverno me rodeia

tece sua teia branca

finca estaca lá na porta

entra por baixo das telhas

reclama lenha coberta

arranha-me a pele



eu quieta no meu canto

ele insiste pede leite

uma dose de conhaque

chá de cravo de canela

chocolate sopa quente

agasalho meias vela



o inverno veio cedo

com seus braços magricelas

respiração ofegante

pouco cabelo

misérias


(Líria Porto)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Trevo de Quatro filhas




Magnífica foto do poeta e fotógrafo Marco Llobus,de Líria Porto em sua janela,do quarto cheio de livros, onde também faz tricô,-e através da qual Belo Horizonte é vista a cada instante de uma nova forma, mesmo com os verticais prédios simulando mesmices...

Líria escreve e eu respondo:

Líria:
Bom ter gostado.
Rss...Espere o melhor da festa, que é o livro-álbum , o blog é apenas uma amostra pálida.
SEI que vc tem um trevo de quatro folhas/filhas, por que será que uma foi dar uma voltinha?Rss...
Vou consertar, agora.
Cle

As filhas de Líria:

TREVO DE QUATRO FILHAS

trevo de quatro folhas,
folhas/filhas
útero fecundo
flor de lis
-tão belas, cada pétala
de cor diferente...

Clevane Pessoa


2008/7/23 líria porto :

minina - ficou fantástico - estou comovida!! só tem uma coisinha - que é significativa - tenho 4 filhas, não 3... dá um jeitinho de arrumar? senão uma vai chorar... risos
besos
líria

Líria Porto -fruta resoluta,lírio aberto, em blog de espantar pudicos



Foto:Marco llobus entrevista Líria Porto, em 18 de julho,na sala da Poietisa.O clik é meu.A entrevista foi deliciosa e rimos bastante, com as tiradas bem humoradas dessa bela mulher sem idade, mãe de quatro lindas mulheres.


Com duas poetas jovens,Roberta Silva e Nina Rizzi, Líria Porto mantém um blog chamado Puats Resolutas, onde o erotismo feminino derrama-se (http://putasresolutasblogspot.com), o que reforça minha afirmação de que poeta não tem idade.Qualquer tentatiiva de pudor que as freiras tenham tentado colocar numa aluninha sapeca, foi inútil:Líria é livre, faz-se vôo a qualquer momento, poemário na cabeça, produção idem:a toda hora...

A POIETISA Líria tambpem está em meu blog erótico http://erotissima.com.

Comento versos com versos, convexos dentro do feminino comum:

http://erotissima.blogspot.com/2007/09/abelha-lria-porto-de-tudo-que-vi.html

Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

De Abelha e colheitas


abelha
líria porto




de tudo que vi


escolhi os teus seios


retirei do entremeio


dentre as contas em cor


um cadinho de mel


lambuzei minha boca


tinha gosto de uva


depois da chuva.

"A autora (Líria Porto),mineira do chamado Triângulo, com duplo sentido, aqui,nasceu em Araguari,reside em Belo Horizonte, escreve poesia sutil, muitas vezes erótica -e até mais-que-erótica (Clevane)


Blog:http://liriaporto.blogspot.com/
No momento, abriu outro, apenas de erotismo, quando eu souber o endereço, postarei aqui.

Poemeto 3,para Líria


Clevane
Líria Porto
nasceu em Araguari,
mora aqui,
onde faz sementeira
deságua
e ara
as sementes do Triângulo.
Colhe gavinhas e lírios.
Mineira.

Postado por Clevane_em_Pessoa às 08:22
Marcadores: Líria Porto, o Triângulo Mineiro

Líria Porto:sensualidade e metonímia



Além da natural sensualidade, do erotismo, encontra-se na poesia de Líria Porto, o social e o cotidiano, muitas vezes pincelados de ironia fina, senso de humor.Uma mulher de seu tempo.Mas ainda, à frente dele.

Aqui, num dueto, em epígrafe não expressa, mas implícita, faz referência aos versos de Pessoa("O poeta é um fingidor/finge tão completamente/que chega a fingir que é dor/a dor que deveras sente"):



fingidor
líria porto

quem destrinçar o meu verso
achar segredos nas frinchas
decerto vai perceber
minha tristeza infinita
disfarçada em ironia

eu rio do oceano
e para ele caminho
saltitante quase nada
sou do tamanho
de um grilo

*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-

Grilos


Roça as asas, grilo, faz a música
o acasalamento das palavras
O canto único e o encanto úmido.

Um salto e dois, impulso faz o vôo
e minha sorte é traçada no encontro
que torna porto o ombro do teu pouso

Cada lágrima contém um oceano
Quando a unidade de medida é sonho


Anderson Santos(*)




Leia mais poemas de Líria Porto em seus blogs:

(Notas do Google/Busca):

"líria portolíria porto. a mão que governa o verso balança o mundo (líria porto) ...":

liriaporto.blogspot.com/ -

(*) Fonte do dueto com Anderson Santos, o blog do poeta:

http://andy1977.multiply.com/journal/item/140

Líria Porto- sutileza e sensualidade




Em foto de Llobus, Líria Porto e eu.A POIETISA nos recebeu em sua casa cheia de livros e paz, na Serra.

As características de Líria enquanto poeta são sua sensualidade e a concisão com que escreve.Lapida, até tornar-se aldravista sem saber:aldravismo é uma Escola Artístico-Loterária de mria, que provilegia a metonímia.Ela sorri, enquanto brinca e nos diz que ,qualquer dia, fará versos quase sem palavras .Dessa forma, a rica sutileza, expressa-se em poemetos preciosos, aquela coisa dos pequenos frascos e melhores perfumes franceses-ou venenos,Sim , lapida carvões naturais ,obtidos no mais íntimo de seu self,destinados a se tornarem diamantes de intenso bilho, vejamos:

TRISTEZA(Líria nos enviou a gravura de Cherry Wood acima, para ilustrar esse poema):

tristeza
líria porto

as lágrimas secaram
chorei sal
aquele foi um mal irreparável
tal como se o mar se evaporasse
e eu tivesse que remar
tocar o barco

*

A POIETISA foi casada com psiquiatra -portanto, familiarizada com ps meandros da mente humana, pelo menos no conhecimento dos termos.Veja a tríade abaixo (Ela escreve:"rem (o sono rem, que nos permite sonhar) / ego / id / perplexidade:


rem (*)
líria porto

o corpo quieto estirado na cama
a alma vagueia por mundos e sonhos
e vai à espanha toureia o toureiro
e vai onde estejas te beija te beija
igual passarinho por ninhos e longes

conhece outros mares navios lugares
piratas corsários reinados rebanhos
a alma é livre o corpo escravo
e peca e cansa padece envelhece
enquanto a alma prossegue encantada

*

ego
líria porto

eu de mim não me queria
minhas grandes inconstâncias
minhas tantas insolências
meu saltitar cansativo
e de mim quase abortei

então de mim fui ficando
fui gostando dessa mim
acomodando-me as beiras
e se eiras eu não tinha
agora tenho

eu de mim já muito quero
pus-me à frente em minha fila
mas porém sem holofote
dessa luz eu não preciso
tenho eu clarão de mim

*
id
líria porto

há dias que sou assim
a sombra da minha sombra
e meus pés pisam repisam
as minhas próprias pegadas
sei curvas sei obstáculos
não sei porém desviar-me

passeio sobre meus passos
caminho nos descaminhos
erro sempre os mesmos erros
repito as mesmas palavras
sou sombra da minha sombra
a perseguir-me o passado





E é pessoa de muita leitura, desde a infância-foi menina precoce, viva, levada e a leitura ,por certo, a sossegava fisicamente mas inquietava ainda mais o espírito buliçoso.

Outra amostra , que fecha a série rem:

perplexidade
líria porto

o mundo
é uma bola quadrada
que gira parada
fincada no espanto

(*)"Rapid eyes moviments", a fase do sono em que os olhos se mexem , sob as pálpebras fechadas e a atividade onírica, reveladora, nos mostra nossas próprios simbolismos, medos e desejos (Clevane Pessoa-palavra de Psicóloga )

Aguarde mais ,sobre a POIETISA, que também está na antologia D'VERSOS, onde os poetas doaram , cada qual, poemas para dez páginas, em prol do ALÔ VIDA(**).A coletânea reúne nomes muito expressivos , com capa e ilustrações do grande atista plástico Wander Lara em organização meticulosa do poeta Claudio Márcio Barbosa.No prelo.E lembro que Líria Porto, durante um bom tempo, também foi voluntária no CVV(***).

(88) e (***) ALõ Vida e CVV:entidades sem fins lucrativos que ajudam, por telefones, pessoas em crise a superar as dificuldades e que têm evitado um sem número de tentativas de suicídio.Funcionam com voluntários bem treinados.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

POIETISAS no MUNAP Sementes de Poesia-Parque Municipal-BHMG










Várias Poetas que integrarão o POIETISA estavam presentes no sarau a luar, do SEMENTES de POESIA organizado por Regina Melo, numa parceria do MUNAP Museu Nacional
de Poesia), com a direção do Parque Municipal, na pessoa do Diretor Homero e Mônica Andrade.Ambos sempre fazem ótimas leituras, pois apreciam a Poesia.

também dissemos oemas e conversamos com os presentes a respeito do Projeto POIETSA.

Mesmo quem não escreve Poemas, leu os que levamos, do nosso movimento Poetas, Poesia e paz.

Para nossa grata surpresa, a garotnha Noélia que gosta de ler poesia e participara ativamente, no domingo passado, trouxe desta feita os prórpios poemas e os leu.Dessa forma, cumprese o primeiro vaticínio do nome escolhido por Regina:as sementes começam a germinar.
E começar a trazer o gérmen da Poesia pela infância, é extremamente gratificante.Noélia recebeu os aplausos de todos e também de seus orgulhosos pais.

Homero, Arlete Pimenta e varias outras resentes, escolheram na caixa "SEMENTES De POESIA", vários poemas e os leram.Uma delas, foi a artista Lorena D'Arc,acompanhada de sua linda filha Jade, muito interessada e antenada em tudo, com a natural curiosidade dos 13 anos:a adolescente, desinibida, deixou-
nos encantada.

As POIETISAS presentes revelaram seu mundo especial, feminino, tênue e denso a um só tempo.Marco LLobus e eu, cada vez que entrevistamos uma delas, ficamos agradavelmente surpresos:de um lado, as semelhanças de gênero.De outro, as singularidades.Todas multifacetadas.

Havia muitos poetas presentes , ente os quais, Wilmar Silva,Claudio Márcio Barbosa, Eduardo Rennó,Antonio Carlos Dayrell de Lacerda Gontijo e ainda o
Maestro Andersen Viana.Sobre eles falarei em outros blogs.

AS POIETISAS (de baixo para cima):

Maria de Jesus Fortuna e Lúcia Brasil

Regina Mello

Francirene Gripp

Conceição

Tocha acesa, entre outras.

Participantes e ouvintes presentes.

Bilá Bernardes.

Livros à disposição para leitura.

Da direita para a esquerda:Iara Abreu (poesia visual) e eu(Clevane)

Regina Mello e Mônica Andrade(do Parque Municipal)

Foram lidos, mais uma vez, os poemas de J.S.Ferreira, poeta aldravista de Mariana, de seu livro JENIPAPO e distribuídos jornais do CLESI(Ipatinga).É a nossa forma de trazer para perto os poetas de outras localidades.

N:As outras de fotos estarão devidamente postadas em outras páginas e
outros blogs que mantenho, de divulgação cultural, uma vez que este é o espaço das POIETISAS.

Visitem:
http://clevanepessoaentrepessoas.blogspot.com
e
http://poetaspoesiaepaz.blogspot.com

A POIETISA REGINA MELLO, do MUNAP, convida para o sarau ao luar no Parque Municipal





Fotos, de baixo para cima:

Aqui, estou ao lado do banner transparente da Galeria da Árvore, que, associada ao Museu Nacional de Poesia, representam muito do trabalho contínuo da POIETISA Regina Mello, também artista plástica, performer e fotógrafa.O click é dela, no domingo 13 de julho, quando estivmos na Praça dos fundadores, para uma concorrida manhã de seu SEMENTES de POESIA - um sarau aberto delicioso- e depois, fomos visitar a Galeria da Árvore.



E também Homero Silva, Diretor do Parque Municipal do Américo Renê Giannetti (Av. Afonso Pena - BH/MG,Brasil), em frente à cabeça de Afonso Pena, na Praça dos Fundadores, onde o evento encontrou espaço.Ele leu vários poemas.

Crianças, adolescentes, adultos e poetas de todos os segmentos serão sempre muito bem vindos.

Veja na outra foto:
Eduardo Rennó,Regina Mello, Wilmar Silva,Luiz Edmundo, Clevane e Tanussi Cardoso.





Enquanto você caminha, do portão principal do parque Municipal, até ao espaço do MUNAP, na Praça dos fundadores, encontra poesia escrita no chão, a céu aberto.Sementes e beleza pura.


Hoje, excepcionalmente, haverá um sarau noturno:o parque não está aberto ao público, mas Homero Silva abre o portão à poesia e aos poeta.

O evento terá início às 18:30h.Não perca.

Leia a convocação da Diretira do MUNAP-museu itinerante e nacional de poesia:


"Caríssimos,

Em fevereiro de 2008, quando participei do Verão Arte Contemporânea com o grupo Kaza Vazia, nasceu a idéia do Semente de Poesias (recital ao ar livre) que não pôde ser realizado por causa das chuvas que não paravam de cair. Na época foram realizados outros projetos: o livro aberto de poesias (poemas escritos pelas ruas do Parque), a intervenção na Praça dos Fundadores (destaque em cores sobre as esculturas) e distribuição de Sementes de Poesias (pequenos poemas) pelo Parque.

Esperei passar o tempo das chuvas e voltei ao Parque com mais uma nova idéia, implantar o Espaço Museu Nacional da Poesia - Galeria da Árvore (um museu vivo, itinerante e mutável) que recebeu em sua inauguração a exposição A Poesia das Sombras (minhas fotografias e poema). Depois tivemos a exposição de Iara Abreu com desenhos de gatos, trabalho idealizado em homenagem aos gatos do Parque (tinta sintética sobre lona plástica).

Atualmente a Galeria da Árvore apresenta o jovem artista Marcos David (medico, poeta e ator na sua unimultiplicidade), uma exposição belíssima e imperdível para qualquer ser pensante. Strange Fruit provoca-nos profundas reflexões. Marcos expõe formas orgânicas carregadas de delicadeza, expressão e cor. Podemos pensar inúmeras questões, mas também precisamos nos dedicar a olhar, olhar profundamente e com olhar amplificado para esta Strange Fruit que o Parque Municipal tem o prazer de apresentar a seu público.

Voltando para o Sementes de Poesia: Realizamos o primeiro no dia 18 de maio, dia em que comemoramos o dia internacional de museus, neste ano com o tema: Museus como Agentes de Mudança Social e Desenvolvimento. Já em sua primeira edição contamos com a presença de crianças bastante interessadas. Uma alegria para todos nós que acreditamos que crianças são sementes férteis. O segundo Sementes de Poesias realizado no dia 15 de junho contou com a co-direção da poeta amiga do Munap – France Gripp e também com o apoio de Iara Abreu. O recital recebeu inúmeros poetas e amantes da poesia. Já o terceiro aconteceu no dia 13 de julho se superando com a presença quase maciça das crianças dominando o microfone.

Depois de tanto sucesso vem aí na próxima segunda feira, dia 21, às 18h30, o Sementes de Poesia – edição lua cheia, na Praça dos Fundadores, no Parque Municipal Américo Renê Giannetti (Av. Afonso Pena - BH), neste dia aberto excepcionalmente para este evento, uma vez que o Parque não abre nas segundas.

O público interessado em participar pode levar seus poemas próprios ou de poetas favoritos para ler ou declamar. No local haverá um microfone e poemas".
Regina Mello

Este evento é uma parceria com a Fundação de Parque Municipais de BH e Museu Nacional da Poesia – Munap e conta com a direção da artista e poeta Regina Mello (diretora do munap)."

Visite o blog e veja a arte de Regina Mello.São instalações e objetos muito interessantes.Confira:


www.reginamellobr.blogspot.com

Divulgação:Clevane Pessoa de Araújo Lopes
projeto POIETISAS.

domingo, 20 de julho de 2008

Poesiae e Poietisas




No aniversário de 73 anos da encantadora D.Preta,cujos poemas na vida são os oito filhos, entre os quais o Poeta Claudio Márcio Barbosa,presentei com as antologias Mulheres no Banquete de Eros, organizado por Nina Reis (Movimento Cultural aBrace-Edit.aBrace) e ME 18 (Mulheres Emergentes 18, organizado pela POIETISA Tânia Diniz (das Edições Alternativas, onde tenho poemas, bem como o meu de contos, Mulheres de Sal, Água e Afins(Editora urbana, RJ/Libergráfica/BH),à declamadora e poetisa Terezinha Romão e à Marlene, Musa do cito bardo.

Como sempre costuma fazer, TEREZINHA ROMÃO nos declamou algumas de suas composições poéticas e nos divertiu com suas histórias de Diamantina -algumas fazem parte de "A MENINA QUE QUERIA SER RAPARIGA, AINDA INÉDITO, QUE PREFACIREI.

NA SEMANA PASSADA, AO ENTREVISTARMOS (LLobus e eu) LÍRIA PORTO, ELA NARROU DESEJO SIMILAR NA INFÂNCIA;AFINAL, AS MÃES USAVAM ROUPAS COMPORTADAS, O BRILHO , o GLAMOUR,ESTAVA COM AS "MULHERES DA VIDA"- o que resultou alguns dos enxutos e belos versos de Líria....

LISIEUX- poeta multifacetada.





Nas fotos(clicadas pela máquina de Lisieux), Lisieux e eu, Llobus no "que-fazer" de equipamentos fotográficos e a POIETISa Lisieux.A entrevita foi em uma sala da igreja metodista, da Rua Tupis, um edifício tombado pelo Patrimônio Historico-e cujas gêneses e raízes foram no tradicional edifício Acaiaca,aqui em belo Horizonte.

Lis, ao remetê-las, escreve:"Adorei conhecer vocês e foi muito divertida a entrevista!

Bjokas

lis"

Apesar de haver desenvolvido um intenso trabalho com Lisieux, na antiga Escola Tropo ,de trovadores ETP (,pela Internet, onde nos tempos do saudoso diretor Nilson Matos, éramos professoras de poetas que queriam aprender a metrificar), de ser ela a Cônsul do Estado de Minas de Poetas del Mundo e acompanhar sua trajetória poética , não a conhecia pessoalmente, nem o Marco LLobus a tinha visto pessoalmente.

Certa vez,om Poeta e sociólogo Ricardo Evangelista(leia-se TROPEIRISMO CULTURAL e POETAS QUAE SERA TAMEN), coordenador de "Saraus de Poesia "na Lagoa do Nado, um dos efervescentes centros de cultura da Fundação Municipal de Cultura na capital mineira,convidou-a para um dos "Conversas ao Pé do Fogão", para que os demais cônsules a conhecessem, mas justamente na data, não pude comparecer.

A história de vida da hoje teóloga e Pastora Terezinha é muito bonita,denota muita força de vontade para vencer obstáculos e ela respira versos e rimas desde a infância, pois a mãe, tovadora e sonetista, ensinou-a, desde cedo, a lidar com metrificação.Não é à toa que é a mestra em "coroas"-um elaborado sistema de sonetos intrelaçados.Até mesmo publicou, com o medico poeta da SOBRAMES, Paulo Camelo-também meu confrade pela Intrnet-, um livro com trinta sonetos de sua lavra, para fechar o DUAS COROAS, atividade lúdico-poética,argamassada na perfeita dominação do gênero soneto e que muitos sequer ousariam fazer.

Para ilustrar,Trovas de ambos:

O peso da juventude

só o tempo nos dirá.

Mas, antes que o tempo mude,

é melhor aproveitar.



Paulo Camelo
<<<***>>>



Juventude é coisa boa

anos-dourados de luz

mas ela se acaba à toa

nos deixa o peso da cruz...


lisieux

Para mostrar a gama de possibilidades poéticas, na verve dessa POIETISA, um terceto:


TECELÃO
lisieux

Teus dedos tecem
tortuosas teias
nas entranhas das veias

BH - 29.04.07

Um soneto:

ALBATROZ
lisieux


As asas de gigante impedem-no de andar *
dizia Baudelaire, acerca do albatroz...
e sua afirmação também fala de nós
poetas cuja sina é sempre alto voar.

Poeta embora eu seja e de voar entenda
no peito trago a dor dos passarinhos presos
e canto nos meus versos amores e segredos
sabendo que às vezes, não posso o vôo alçar.

No céu dos meus poemas, viajo uma ilusão
e quase nunca tenho os pés no árido chão
pois é imprescindível que eu tenha liberdade.

E como as do albatroz, as minhas asas são:
se estão fechadas, impedem a locomoção,
se estão abertas, voam ao encontro da saudade.

São Paulo - 03.03.07
* Baudelaire

Versos livres:

LUNÁTICA
lisieux

Lunática sou eu...
A minha avó
com escura lua nova conviveu...
Vovô sonhou UM QUARTO
e no seu céu
até mesmo esse quadrante
esmoreceu...

Papai sonhou apenas MEIA lua
e sem vê-la crescente
faleceu...
Mamãe teve mais sorte
e UMA lua
redonda e cheia
no seu céu permaneceu


até que eu cheguei, sonhei
e fui tão louca
que essa única lua
repartiu-se...
e hoje já são mil.

Estão brilhando
no meu céu de fantasia
a iluminar toda minha
poesia!

BH - 18.03.07
Resposta poética à poesia de líria porto (*): "aluando".

(*) A grande Poeta mineira Líria Porto, que entevistamos na sexta feira passada(aguardem...)18/07/2008)

>>>***<<<
Uma das mpdalidades que a poietisa domina é a glosa, onde cada linha da trova de alguém , aparece na promeira, segunda e terceir das estrofes sibsequents da composição.Ela confessa que gosta muito dese exercício:

MOTE E GLOSA
lisieux


Ia um casal caminhando,
bem velho, trôpego o passo...
Era a Saudade levando
o Passado pelo braço... -(Elton Carvalho)




IA UM CASAL CAMINHANDO
assim, sem olhar pros lados;
olhos vivos, cintilando,
um no outro, mergulhados...

Era o par - todos notavam -
BEM VELHO, TRÔPEGO O PASSO,
mas eles se imaginavam
sem rugas e sem cansaço.


Podia-se ver, andando,
ao lado deles um vulto:
ERA A SAUDADE LEVANDO
da sua vida o tributo...


Saudade amiga, aninhava
o casal num terno abraço...
E o amor deles carregava
O PASSADO PELO BRAÇO


lisieux - BH - 21.06.06

Uma de suas composições semi-eróticas:


AMPLEXO
lisieux

Tudo que me sobra
transborda...


pelos olhos,
pelos póros,
pelo sexo...

Complexo!

>>**<<

E sobre dança, uma de suas paixões:

TANGO



Penduro
em um
.....cabide
minhas descabidas
fúrias



e
- num laivo de loucura -
ro
do
pi
o
pela sala.



lisieux

>*<

Da condição feminina:

AVESSO

lisieux





E tu chegaste, virando o meu mundo pelo avesso, revertendo o rumo das marés e fazendo o sol nascer à meia-noite.

Bagunçaste o meu coreto, abalaste as minhas estruturas, provocaste um terremoto nas minhas entranhas.

Tu rompeste a barreira do som e ribombaste em meus ouvidos; viajaste à velocidade da luz e chegaste, centelhas, aos meus olhos, iluminando tudo;

E tu chegaste e modificaste a minha vidinha repartição-pública, tornando-a profissional liberal, sem hora, senhora do meu nariz, dona do mundo.

Chegaste furacão, tufão, maremoto, soprando ventos, agitando ondas, movendo as placas tectônicas...

E eu, poeira cósmica, partícula estelar, centelha infinitesimal, zero á esquerda, saltei espaços, viajei eras, atravessei séculos...e, cá estou, nos teus braços: inteira, refeita, perfeita... mulher!


Sua prosa poética:


TRANSLÚCIDA

lisieux



O olho castanho opaco, refletido no espelho do banheiro, foi a última coisa que viu. Depois, sumiu... desapareceu num mundo de faz-de-conta, avesso de tudo.

Custou a se dar conta disso, acostumada que estava a ser ignorada. Demorou a perceber que se tinha tornado definitivamente invisível. Mulher de cristal através do qual os olhares passavam, indo se fixar em outro ponto.

Bem que tentou fazer-se notar. Tilintou em noites de gala; cristal da Boemia, refletiu o vermelho do vinho, borbulhou o champagne francês; serviu fresca água a lábios sedentos em muitas manhãs. Também reverberou o brilho do sol em janelas, artísticos vitrais.

Nada adiantou: permaneceu invisível, transparente.

Um dia, deixou-se cair. Delicada peça, partiu-se em mil pedaços.

O companheiro ajuntou os cacos, apenas para não ferir os pés. Jogou os estilhaços pela janela dos fundos, no pequeno quintal...

E... lá ficou ela, refletindo a pálida luz distante das estrelas.


>>>***<<<
Esses e tamtos mais, do cotidiano, do transcendntal e da amorosidade, são poemas que convivem serenamente com os poemas onde sua fé , seu senso de justiça social -o que também transborda-lhe da alma:


REPARTIR
lisieux

Com tão poucos neste mundo tendo tudo
e com tantos que não têm o que comer...
com milhares sem ter nada, é absurdo,
continuarmos com a cegueira de não ver
que não ganhamos nada com a cobiça...

Que Deus nos faça amar e repartir
para que todos vivam com justiça...

lisieux

(Feito para o Varal do Lun'as)

>>>***<<<


A POIESIS de Lisieux pode ser encntada em seus blogs-um por ano, chamados "Blue Eyes"(http://blueeyes5.blogspot.com/2008), já no sexto (2008), vá conferir e encantar-se.